Pe. Riccardo Zanchin retorna a Manaus e relembra a origem do MCVE
Fundador do Movimento Comunitário Vida e Esperança esteve na Área Missionária de Santa Helena, onde atuou por 13 anos e marcou a história pastoral e social da Zona Norte da capital

No dia 2 de janeiro de 2026, a Área Missionária de Santa Helena, na Zona Norte de Manaus, recebeu a visita do fundador do Movimento Comunitário Vida e Esperança (MCVE), o padre italiano Riccardo Zanchin. Hospedado na casa paroquial, o missionário foi acolhido pelo pároco da Área Missionária, padre Thiago, e pelo padre Leonardo, responsável pelo Seminário Propedêutico da Arquidiocese de Manaus.
Padre Riccardo foi o idealizador do MCVE durante o período em que atuou como pároco da Área Missionária de Santa Helena, onde permaneceu por 13 anos, antes de retornar à Itália, em 2009. À época, também esteve à frente da Área Missionária de Santa Mônica, quando ambas eram unificadas em suas atividades pastorais e paroquiais.
Durante sua missão em Manaus, padre Riccardo acompanhou um extenso território pastoral, chegando a conduzir mais de 30 comunidades, entre elas Monte das Oliveiras, Monte Pascoal, Santa Etelvina e outras. Grande parte dessas comunidades surgiu a partir de ocupações de terras iniciadas nos anos 1980, período marcado por intenso fluxo migratório de pessoas vindas do interior do Amazonas e de outros estados, atraídas pelas oportunidades da Zona Franca de Manaus.
Esse processo de crescimento desordenado trouxe consigo uma série de desafios sociais, como a ausência de infraestrutura urbana, dificuldades no transporte público, na educação e, sobretudo, na saúde. As ocupações ocorreram sem suporte do poder público, resultando também em impactos ambientais significativos, como a poluição de igarapés e a destruição de áreas verdes.
“Como cristãos, somos chamados a olhar para o Evangelho e para a própria história. A violência não se combate com mais violência, nem com lideranças violentas. Ela é superada por meio da justiça social e da implementação de políticas públicas voltadas aos mais vulneráveis e aos pobres. Quando a sociedade investe na melhoria das condições de vida da população, os índices de violência tendem a diminuir”, disse o padre Riccardo Zanchin.
Foi nesse contexto de profundas desigualdades sociais que a atuação de padre Riccardo se consolidou. Além do trabalho pastoral, o missionário se deparava diariamente com realidades que despertavam inquietação e exigiam respostas concretas. As comunidades das Áreas Missionárias, em sua maioria, eram estruturadas de forma precária, com pequenas igrejas de madeira, refletindo a vulnerabilidade do território.
A inspiração para uma ação mais organizada veio da Campanha da Fraternidade de 1998, cujo lema foi “Fraternidade e Educação: a serviço da vida e da esperança”. A partir dessa motivação, nasceu o Movimento Comunitário Vida e Esperança (MCVE), considerado um dos mais duradouros gestos concretos da Campanha da Fraternidade, e que segue até hoje atuando na promoção da justiça social, da cidadania e da dignidade humana.
A presença de padre Riccardo em Manaus tem forte significado tanto para o MCVE quanto para a Área Missionária de Santa Helena. Foram anos marcados por dificuldades, mas também por avanços importantes, sempre com o apoio de muitos leigos e lideranças comunitárias. O próprio missionário faz questão de destacar que essa trajetória foi construída de forma coletiva, com a participação de muitas mãos.
“Reencontrar o padre Riccardo aqui na comunidade é, além de muito importante, extremamente gratificante. Esse momento nos faz recordar o apoio que ele sempre ofereceu à nossa comunidade, aos projetos desenvolvidos na Área Missionária e, sobretudo, às pessoas que aqui viveram e caminharam durante o período em que ele esteve conosco. Como ex-ministra da igreja, com 22 anos de serviço, posso testemunhar o quanto ele incentivou e fortaleceu a missão de cada pessoa envolvida na vida da Igreja. Padre Riccardo é uma referência para todos nós e merece nosso amor, carinho e profundo respeito”, relatou Dona Jesus, ex-ministra da Palavra da Comunidade Nossa Senhora do Rosário.
Ao longo desses anos, inúmeras crianças, adolescentes e famílias foram beneficiadas pelas ações desenvolvidas no MCVE, especialmente no fortalecimento da cidadania e na defesa dos direitos sociais. Por isso, a visita de padre Riccardo é vista como um momento de gratidão e reconhecimento por parte das comunidades da Área Missionária e do MCVE.
Durante os nove dias em que esteve em Manaus, padre Riccardo visitou diversas comunidades onde atuou, celebrou missas, participou de rodas de conversa e reencontrou antigos companheiros de caminhada. Também teve a oportunidade de rever lideranças da Igreja, como Dom Mário Pasqualotto, Dom Zenildo, religiosas de diferentes congregações e amigos leigos.
Mesmo residindo atualmente na Itália, padre Riccardo segue colaborando com o MCVE, por meio do apoio do Gruppone Missionário, principal parceiro da instituição, e de sua paróquia de origem. Durante a visita, padre Riccardo também participou de uma roda de conversa com colaboradores do MCVE, oportunidade em que acompanhou de perto o andamento das ações atualmente desenvolvidas pela instituição. Além disso, vivenciou um momento de confraternização e lazer com a equipe em um passeio ao município de Presidente Figueiredo, onde pôde contemplar as belezas naturais da Amazônia.
No dia 9 de janeiro, a Área Missionária de Santa Helena realizou uma celebração especial com missa na Comunidade Nossa Senhora do Rosário. Após a celebração, um jantar foi oferecido na sede do MCVE, reunindo convidados e marcando a despedida do missionário, que seguiu viagem no dia 10 de janeiro para o Rio de Janeiro, antes de retornar à Itália.
Para o MCVE, permanece a gratidão por todo o legado deixado por padre Riccardo Zanchin. Mais do que números ou estatísticas, sua missão deixou como principal ensinamento o olhar empático e preferencial para os mais pobres. Um compromisso que continua norteando a atuação do Movimento Comunitário Vida e Esperança, na luta por justiça social e na promoção da vida e da esperança.













